acabou a festa.
Acabou.Acabou a festa. acabaram as ferias. agora retornarei à faculdade, aquele pequeno antro de pessoas normais. O mais engraçado eh que um dos meus medos, quando terminei o namoro, foi de ficar sozinha nas férias, sem companhia. Ironicamente, cá estou: Descobri novas amizades, pessoas maravilhosas, saí muito, bebi muito, o tempo não passou. voou. como diz meu amigo pedro,"o tempo é um safado. você vira a cara e ele sai correndo num segundo." Eu confesso que estou com medo. Com medo de encarar aquela faculdade, aquelas caras enojadas da turminha mais panela, aqueles professores berrando na nossa cabeça, o ambiente fútil falso da milton campos...
Apesar disso, 2006 foi um bom ano. Foi meu primeiro ano de faculdade, acabei de des-estressando por ser muito mais velha que todo mundo, des-estressando por nao ser patricinha-rica-esnobe, etc, etc...
a gente vai se encontrando, é isso que eu penso.
E esse ano agora é um ano de desafio, mas também indica muitas mudanças ainda por vir. Por exemplo: eu vou tirar carteira esse ano. Eu tenho certeza. Na verdade, eu realmente sei dirigir. sozinha e tudo mais. E eu realmente posso ser (muito) feliz sem um homem ao meu lado.
E tambem descobri que tenho força. Que não preciso repetir os comportamentos errados que eu praticava no passado. É uma questão de escolha. Hoje eu não fico mais com um cara se ele realmente não valer a pena. Eu só quero uma coisa: conseguir tomar uma decisão e não voltar atrás.
Preciso estudar mais, fazer valer o din-din que meus pais investem em mim. Se for para largar o direito, que seja. Porque na verdade, eu ainda não escolhi a letras por medo. Tenho medo de não gostar, jogar fora todo o conforto e admiração que eu teria formando em direito para virar professora (que vergonha... diriam alguns.)
Quando vejo livros, quando vejo filmes, ouço músicas, observo a arte, algo acontece comigo, não sei explicar.
É como se uma luzinha se acendesse dentro de mim, um sensação de prazer e de pertencer a algo maior, um orgulho de ser humana... Mas e aí? Porque eu já fui lá embaixo, já vi os drogados e os vagabundos e as pessoas cuja vida não somente não faz sentido, mas é como se elas fizessem questão de que tudo desse errado.
No meio dos emos da savassi, das menininhas de 16anos que se prostituem sem saber, que tiram fotografias de si mesmos, escarrando maquiagem e lágrimas exageradas, eu não quero isso não.
Por que é tão difícil caminhar no meio termo? não ser alguém materialista, consumista, pé no chão, assim como também deixar de se tornar um hedonista vagabundo, errando pela vida, sem razão ou objetivo de vida?
Eu quero ser bem sucedida, sim, é claro. Mas também não quero passar o resto da vida trabalhando com algo que eu odeie, com a sensação de que estou gastando meu cérebro com coisas insignificantes. É assim que me sinto ao memorizar códigos e artigos e constituições.
As minhas filosofias estão acabando. O curso vai ficar cada vez mais "código, código, código" e menos "filosofia, ética, justiça, ciências sociais". Isso me aterroriza. Tenho medo de me tornar uma formiguinha, cessar de pensar, apenas aceitar calada e memorizar.

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