segunda-feira, abril 23, 2007

historico escolar

eu estava lendo o post do Ricardo e fiquei pensando sobre como a gente muda, se adapta à situações adversas sem nem perceber.
Não faz muito tempo que ingressei na universidade, aliás, foi a pouco mais de um ano. Falta muito tempo ainda. É um tanto angustiante pensar que ainda tenho uns quatro anos de milton campos, aquela faculdade desgraçada que é o-primeiro-lugar-na-oab-mg.
Eu nunca passei muito tempo em um mesmo lugar. Na pré-escola eu freuqentei três escolas diferentes. Da primeira à quarta série eu estudei no marista, e me lembro que tinha um namoradinho chamado rodrigo. Uma vez fui almoçar na casa dele, e a mãe dele me fez tomar biotonico fontora (sei lá como se escreve isso)para ele crescer rápido e ficar forte. Ele usava aparelho móvel, e quando foi almoçar simplesmente deixou aquela engenhoca babada em cima da mesa. Contei o incidente à minha mãe e passei uns cinco anos tomando óleo de figado de bacalhau (uma coisa branca que tinha um gosto horrível) com o objetivo de crescer. Pena que não deu muito certo, já que eu sou a mais alta aqui em casa e meço 1,63.
Aí quando eu estava na quinta série fui para a escola americana, que na época não era tão exorbitantemente cara. Era a época que as pessoas de classe média podiam ir à disney, acho que foi logo depois do plano real. Eu sou grata ao fato de ter aprendido inglês tão bem em pouco tempo.
Mas não gostava muito de ser chamada de "izabola" enquanto cantavam a música da popotinha para mim. Era uma propagando de poupança de um banco, não me lembro direito, só sei que me dava uma vontade louca de chorar.
Quando estava na metade do ano em que cursava a sexta série, minha tia começou a pressionar meus pais, dizendo que se eu não estudasse em uma escola brasileira não teria o conhecimento adequado e necessário para ingressar no vestibular, assim como não aprenderia português corretamente. A escola americana é um instituto internacional de ensino, todas as matérias eram lecionadas em inglês, até mesmo educação física. O que me deixou mais perplexa é que nunca tive muitas aulas de português, mas confesso que sei escrever muito mais corretamente do que um aluno médio de uma escola brasileira boa, dessas que tem muitos aprovados em vestibular.
Aliás, essa coisa do vestibular é uma coisa muito ridícula, o grande medo de todo estudante, sendo que no final, se você não passa na ufmg, sua vida acaba e você se sente um fracassado, pois passou anos da sua vida se preparando única e tão somente para uma prova. Na escola americana, assim como na fundação torino, os anos letivos iniciam em agosto e terminam em junho. Eu voltei ao início da sexta série no marista, perdendo um ano nessa brincadeira. Aí está explicado o meu trajeto escolar que me atrasou a tal ponto que cheguei ao cúmulo de ter 22 anos no terceiro período de faculdade. Tenho a ligeira impressão de que os norte americanos, pelo menos há dez anos, eram mais ingênuos que os brasileiros. E é verdade, porque li na scientific american que em caso todas as capitais do Brasil, de acordo com a Unicef, mais de 10% de alunos entre 10 e 14 anos já tiveram relação sexual. O IBGE revela também que, em 2000, 7,3% das jovens brasileiras entre 15 e 17 anos tinham pelo menos um filho, enquanto de 1995 para 2002 o numero de meninos e meninas americanos que se declaram virgens subiu de 57% para 69%, e 62% para 70%, respectivamente.
A questão é que eu tinha 13 anos de idade e nunca havia nem chegado perto de beijar alguém. E ainda ia de lancheira para a escola. Resultado: em dois dias de aula ninguém olhava para a minha cara. Eu não me importava, pois passava os dias lendo na biblioteca. Acho que foi aí que despertou em mim a paixão pelos livros. Talvez tenha ocorrido antes, pois a escola americana tinha uma ótima pedagogia de ensino, a qual consistia em dar prêmios para os alunos que mais liam livros e faziam trabalhos na escola, assim como reconhecendo o esforço dos que progrediam dentro de suas limitações.
Um dia, porém, chegou perto de mim um garoto. Me perguntou se eu gostava de música. Eu havia recentemente adquirido meu primeiro CD, do hanson. Até então, ouvia fitas k-7 com músicas denominadas dance 95. Ele olhou para mim com uma cara ruim. Perguntou se eu já tinha puvido falar em metallica. E no dia seguinte, me levou uma fita do justice for all. Foi assim que tudo começou. Nunca mais consegui ouvir axé, pagode, sertanejo, essas coisas... E aí eu fiquei tão apaixonada por heavy metal que comecei a tocar guitarra e de repente eu percebi que tinha tomado bomba em matemática.
Aí eu fui estudar a sétima série no colégio milton campos, que é ironicamente o mesmo local onde está situada a minha faculdade. Então conheci a Letícia, que me ensinou a gostar de Iron Maiden e Black Sabbath. Aí eu voltei para o Marista, mas meu pai decidiu me colocar na Fundação Torino. Perdi mais um ano, porque lá na ft, além de o ano letivo ser diferente, são quatro anos no ensino médio. Foi uma das épocas mais felizes, porque lá eu tinha filosofia, história da arte, literatura e história abundantemente. A minha turma era composta por pessoas bem diferentes umas das outras, e como éramos poucos, a cada um foi garantida e respeitada sua individualidade.
O Chub faz belas artes, o Juba faz letras, o Catão faz design, Clarissa largou música e agora faz psicologia, Carol está fazendo ciências socias com ênfase em cinema, Marina faz moda em Londres, a Manuela foi tentar engenharia de produção no Japão, Luigi faz economia, a Tetê e o Bolsa fazem arquitetura, o Sam faz artes cênicas, a Rosa faz direito em Milão e eu, o mala, o artur e o marcelo fazemos direito.
Sem contar o período que fiz cursinho pré-vestibular, onde conheci muita gente diferente, desde fanáticos de esquerda à playbozinhos ridículos, e percebi como este país é injusto e muita gente boa não tem condição de ficar por conta do estudo para passar em uma universidade pública. Na milton campos me surpreendi, pois acabei fazendo amizade com quem nunca imaginei, como o pedro maluco por Cuba e seu regime socialista, assim como o pessoal do projeto de pesquisa do Libertas e gente da minha sala que aparentemente não curte as mesmas coisas que eu, como a Lorena, a Gabi, a Anninha, o Gui, entre outros.