terça-feira, fevereiro 13, 2007

ensaio sobre a liberdade de pensamento

John Stuart Mill é um filosofo e economista político inglês do séc XIX que percebe antecipadamente um problema atual: a supressão dos direitos de um grupo pelos anseios da maioria. Esse livro é brilhante por afirmar ao final do livro que nossa sociedade está formando animais sem capacidade de raciocinio e tolerancia com as ideias conflitantes. Toda a sociedade conspira para que as difrenças se façam cada vez menos perceptíveis, ignoradas, e todos pensem da mesma forma. Esse ambiente não propicia discussões a cerca do que pode ser melhorado, apesar de atenuar conflitos socio-economicos e intelectuais. A moral ditada por uma sociedade, juntamente ao senso-comum de como é mais adequado agir e pensar, é uma das maiores repressões que um indivíduo pode sofrer, uma vez que esse "controle social" penetra em campos mais profundos de influência sobre os individuos.
Mill é também famoso por ser um dos pensadores pioneiros no estudo acerca da emancipação feminina. Para ele, a repressão feminina era um dos obstáculos para o desenvolvimento completo das capacidades humanas. Depois eu vou ler alguns trechos sobre escritos a respeito de direitos femininos. Acho que hoje esses valores estão completamente controvertidos, ao avesso. As mulheres confundem promiscuidade com libertação sexual. Mas isso é papo para outro post.
O texto pode estar meio confuso, mas é porque o li em inglês e tentei traduzir à medida que adicionava alguns pensamentos meus.

On Liberty – John Stuart Mill – Uma releitura minha sobre a obra.

“ The subject of this essay is not the so-called liberty of the will, but civil, or social Liberty: the nature and limits os the power which can be exercised by society over the individual.”
O objetivo desse ensaio não é o dito livre-arbitrio, mas a liberdade civil, social, e os limites do poder que legitimamente pode ser imposto pela sociedade em relação ao indivíduo.
A luta entre liberdade e autoridade é uma das batalhas travadas na historia de forma mais familiar.
Antigamente havia uma luta de classes, entre sujeitos, ou então entre o governo e a sociedade. Liberdade na antiguidade significaba proteção contra a tirania de representantes políticos.
O homem sempre se satisfez em combater seus inimigos e ser regido por um rei ou tirano, desde que lhe fosse garantido mais ou menos proteção contra essa tirania. Suas aspirações não iam muito alem disso.
A noção que as pessoas tem de que não é necessário limitar o poder que elas exercem sobre si mesmas pode parecer axiomático (sempre verdadeiro), quando era inimaginável o conceito de democracia que possuímos hoje.
Percebe-se agora que auto governo e o poder do indivíduo sobre si mesmo não expressam mais o seu verdadeiro sentido.
A vontade da maioria significa, na verdade, a vontade da parte mais ativa ou mais numerosa do povo; a maioria ou aqueles que se fazem perceber como maioria. A limitação do poder do governo sobre os indivíduos não cessa de existir quando aqueles que estão no poder são resguardados pelos anseios da maioria, ou melhor, pelo grupo mais forte de indivíduos de uma comunidade.
Quando a sociedade é por si o tirnao – coletividade societária, sem identificação com os individuos diferentes que a compõem – significa que não há tirania só do lado dos representantes políticos. Esse tipo de supressão de individualidade pode ser extremamente prejudicial para a expressão cultural-intelectual e social de um povo.
Essa supressão pode ser mais tirana que a própria ditadura política, pois se manifesta silenciosamente, penetrando de forma mais mais profunda nas questões mais íntimas da vida, atingindo a moral de um povo. Escraviza a própria alma de um individuo. A opinião e o sentimento dominante, impostos pela sociedade, geram um bloqueio para ideias dissidentes, impedindo a sociedade de progredir intelectualmente. A questão do livro é como encontrar o equilibrio entre a independencia individual e o controle social. Algumas regras de conduta devem ser impostas, inicialmente pelo direito, para então serem reguladas pela moral. O que cada individuo pensa é que todos deveriam agir como ele, ou como ele considera ser a conduta ideal. Logo, uma opinião sobre um tipo de conduta nada mais é que uma preferencia pessoal. As opiniões dos homens são afetadas por mil razões que influenciam seus desejos em relação às condutas de outros.
Até mesmo a servidão a uma religião é prejudicial; basta verificar na história quantos filósofos, cientistas e estudiosos de todo o tipo forma queimados por tentar provar um pensamento dissidente do senso comum.
Geralmente, aqueles que estavam progredindo em pensamento entraram em conflito com os estudiosos de sua época, sendo necessário lutarem pela sua convicção até a morte. A humanidade é tão intolerante com qualquer coisa que se importam, que a liberdade religiosa dificilmente foi praticada, exceto em casos de indiferença religiosa. Não há abertura, pois, para um indivíduo em ambiente cuja maioria exerce de forma significativamente relevante os seus desejos e crenças.
O objetivo principal da civilização humana é impor suas próprias opiniões e inclinações como regra de conduta para os outros. Esse sentimentos motivaram alguns dos piores momentos da história humana, quando houve ditaduras, holocausto, ferrenha supressão da liberdade individual. A tendência é esse poder crescer, como percebe-se de acordo com as políticas externas dos países atuais.
Os seres humanos deveriam ser livres para formar suas próprias opiniões, expressando-as sem reserva. Atos que sem justificação prejudicam outros devem ser controlados e interferidos pela sociedade. A liberdade do indivíduo deve, então ser limitada; ele não deve ser um fardo para os outros. Os homens falham, sabe-se disso. Suas verdades são apenas meias-verdades. Uma opinião sozinha não é desejável, assim como a diversidade não é um mal, mas um bem, uma vez que os seres humanos são capazes de reconhecer os lados todos da verdade. Aplicam-se estes princípios nas ações do homem como em suas opiniões. Enquanto os homens são imperfeitos devem haver opiniões diversificadas, para que haja diferentes pontos de vida e modos de pensar. Seria desejável que, em aspectos que não concernem os outros primeiramente, a individualidade deveria prevalecer.
O problema é que a espontaneidade individual raramente é reconhecida como algo positivo pelo pensamento convencional. Eh um privilégio e condição própria de ser humano, quando atingida a maturidade de suas faculdades, utilizar e interpretar experiencias como desejar. As faculdades humanas de percepção, julgamento, atividade mental e até preferência moral são exercitadas ao se fazer uma escolha.